Norah Jones - Pick Me Up Off The Floor [REVIEW]

Norah Jones lança seu oitavo álbum; ouça 'Pick Me Up Off the Floor'

O oitavo álbum da Norah Jones chegou recentemente, trazendo o que ela sabe fazer de melhor, mas dessa vez encontrando um ponto de equilíbrio entre o folk e o jazz, como era seu trabalho de estreia por exemplo.

Fazendo um rápido balanço de sua ótima discografia pra quem não a conhece, Norah Jones fez sucesso instantâneo com seu album de estreia em 2002 "come away with me", e desde então já ganhou diversos Grammys ao longo dos anos, e também já enveredou por diversos estilos como o country, soul, pop rock, e até mesmo já gravou um disco com o Joe Armstroong do Green Day. Norah Jones é bastante respeitada não só pelos críticos que já a consideraram como uma das maiores vozes do jazz da nova geração, como também por artistas consagrados como Neil Young que já cantou com ela num show.

Além de ser uma ótima pianista, Norah Jones também escreve muito bem, com 11 poesias em forma de música, esse disco recente é ainda mais pessoal, no entanto muitas das canções se encaixam no momento atual em que vivemos de pandemia. Porém ela não escreveu essas músicas agora, na verdade são sobras de outros discos que ficaram de fora. Ela percebeu essa necessitada de compartilhar essas músicas num álbum quando ela não parava de cantarolar em seu dia-dia, além de reconhecer que vivemos tempos de se conectar, apesar de muitas das canções ter um aura triste, a intenção não é afundar as pessoas na eminente desgraça.

O nome ''Pick Me Up Off the Floor'', que em tradução literal seria ''Me tire do Chão'', a ideia veio com a junção do sentimento maior contido nas letras, e como não tem nada mais atual do que esse sentimento, as canções estavam no tempo perfeito para vir a público.

O disco abre com a ''How I Weep'', que parece um Jazz mas também se encaixa perfeitamente com um folk, a melodia do piano traz uma sensação de ''céu cinza'', e a letra traz essa premonição mais profunda de ''tempestade'' à caminho. Uma das frases ''Who Weeps for a Lost But Can't tell it Goodbye'' (Quem chora por uma perda mas não pode dizer adeus) traz um significado bastante real e impactante. A segunda ''Flame Twin'' tem um clima mais pacificador, a poesia continua profunda mas nem tanto como a primeira, porém o ritmo voltado mais para o folk traz uma leveza pra música. Dessa vez ela diz ''My twin in flames, lift me from the ground'' (meu irmão gêmeo em chamas, me levante do chão), traz como bem explicado anteriormente, um sentimento de conexão.

A terceira ''Hurts To Be Alone'', nem precisa de comentários né? a letra já diz tudo de maneira bem explícita. Essa é uma música mais melancólica que as duas antecedentes, e também continua com uma mistura maravilhosa de jazz com folk,  mas diferente delas, não dá pra classificar sendo uma em específica. Eu diria que é o equilíbrio na medida exata dos dois estilos.

 

Essa quarta música ''Heartbroken, Day After'' é talvez um grande abraço sonoro eu diria. Completamente acolhedora, calma, é uma música pra ficar emocionado do começo ao fim. Tem um clima leve de country, ainda sim,  também poderia se dizer que é um Soul em alguns momentos. Já a quinta ''Say No More'', é um pouco mais sofisticada, volta novamente para o Jazz, com direito até a saxofone, no entanto, o piano ainda continua em primeiro plano sem perder o brilho. Melodia impecável eu diria, já a letra é um pouquinho mais misteriosa. 

A minha preferida ''This Life'', poderia considerar como a melhor música de 2020 até agora. Não só pela letra certeira, desse sentimento de despedida pela vida que conhecemos, mas a maneira como é cantada essas palavras é de uma profundidade que carrega realmente o significado do que está sendo cantado em cada verso, o coral de vozes aumenta ainda a emoção de querer viver algo novo, já que a vida que conhecíamos acabou. 

A sétima música ''To Live'', é bem no estilo da The Band, um Country mais calmo, também traz um sentimento de esperança. Em seguida a ''I'm Alive'', continua na mesma linha, é uma música bastante tranquila e a letra continua esse suspiro de alívio, que realmente lava a alma quase numa espécie de prece.

Já a nona faixa ''Were You Watching?'', o clima fica mais introspectivo, as incessantes vezes em que ela diz o nome da música vira uma provocação aberta a interpretações. A Penúltima ''Stumble On My Way'' talvez seja a mais ''light'' do álbum vamos dizer assim. Bem simples, nada fora do normal. E a última ''Heaven Above'' continua o clima arrastado, porém ainda bem calmo e com certo tipo de profundidade nas palavras.


Dito isso, ''Pick Me Off The Floor'' é um bom disco, Norah Jones continua na sua linha de conforto, transitando em estilos diversos (até mesmo durante a música) do folk ao jazz, do jazz ao country, enfim, no entanto, as letras possuem mais peso; a relevância que elas ganham num momento como esse é imprescindível. Se Norah Jones gostaria de se conectar com as pessoas através desse sentimento universal, conseguiu. Espero que alcance muito mais gente que precisa dessa calma, desse abraço.   


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