Julie Wein - Infinitos Encontros [REVIEW]

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Nada mais relaxante do que ouvir o disco de estreia de Julie Wein; em meio ao caos em que vivemos, as músicas de seu primeiro álbum exala poesia e calmaria, duas coisas que precisamos com urgência nesses tempos tenebrosos.

Logo nesse disco de estreia, Julie Wein já conta com duas parcerias de peso da MPB, Ed Motta e Edu Lobo. Isso que eu chamo de começar com o ''pé direito''. Lançado pelo selo ''Biscoito Fino'', o disco ''Infinitos Encontros'' tem bastante influência de Elis ReginaTom Jobim, entre outros.

Julie Nasceu em Curitiba e desde sempre esteve ligada ao mundo artístico, o que chamava a atenção de seus professores na escola, já que quando perguntavam para ela quem eram seus ídolos, ela respondia sempre os gigantes da MPB citados anteriormente. Mas ao contrário do que se pode pensar, ela se formou em Ciências Biológicas/Biofísica e fez doutorado em Neurociências pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Sabendo dos perrengues que é viver de música, ela preferiu se formar em algo que também gostava e que pudesse dar alguma segurança no futuro.  

No entanto, logo em 2015 resolveu se dedicar mais à música, e desde então vem se apresentando com músicas autorais, ainda que sua ideia inicial fosse apenas ser interprete. A inspiração para escrever veio como um avalanche, logo após ao ler o poema de sua mãe ''Poemas de Ti'' (que inclusive está nesse disco), e assim, outras letras vieram depois. 

O disco conta com outras participações como o Jorge Helder, Yuri Villar, Joana Queiroz e o seu pai no violoncelo, além da parceria de duas amigas, Mariana Ferrão e Viviane Burgues em duas composições (''Mar demais'' e ''Ítala''). Foi daí que surgiu o nome do disco ''Infinitos Encontros'', por causa das várias parcerias nesse trabalho. Bem propício por sinal. 


Além dos encontros de pessoas talentosas, o disco têm encontros de ritmos bem interessantes, indo desde à bossa nova até em samba, valsa, baladas lindas que inclusive nos faz viajar para a ''ilha de nossa infância''.

O disco abre com uma canção maravilhosa ''Trânsito de Marte'', que logo no começo já fez meus olhos marejarem com a letra sonhadora e o clima de fantasia. O ritmo me faz querer dançar como uma bailarina, e o timbre de voz mata um pouco a saudade de Elis Regina, que alias, se ela fosse viva, cantaria facilmente essa música. Tem suas raízes na MPB das antigas, mas também tem um ar moderno. 

Em seguida ''Beiral da Porta'', é extremamente mais melancólico, introspectivo, soturno. E esse clima continua na ''Valsa em Sim'', que o próprio nome diz, se trata de uma valsa maravilhosa, que também vejo bastante influência de Elis. Já a próxima ''Tentei disso e tudo mais'', é mais feliz, apesar de ter uma letra tristezinha, tem um romantismo alegre, o samba é a cara perfeita desta faixa.

A segunda parte do disco, ou o melhor dizendo, as quatro canções restantes, pra mim, são as melhores. Impossível não ficar comovida com a escolha das palavras, as melodias que irradiam sensações de saudade como é o caso da ''Ítaca''. E o que dizer então da ''Beijo da Noite'', que tem a participação do Ed Motta? Sem dúvidas, o ponto alto do álbum. É um poema cantado com doçura, um filme sonoro que constrói imagens na nossa cabeça de despedidas tristes de quem amamos. A penúltima ''Poemas de Ti'', também possui uma sensibilidade grande nas palavras, e a última ''Mar Demais'' é aquela canção que nos abraça, traz um conforto no coração, uma alegria de se sentir vivo e conectado com a natureza, e com tudo que há no universo. O coral de crianças realça ainda mais o sentimento de inocência, descobertas.

Enfim, Julie Wein começou sua discografia maravilhosamente bem, mal posso esperar pra ouvir o que pode vim no futuro. Recomendo demais!



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