Slipknot - We Are Not Your Kind [REVIEW]

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Slipknot é aquela banda de nove integrantes mascarados que tocam New Metal, que no final dos anos 90 e no começo de 2000 caiu no gosto dos jovens, levando a banda do interior dos EUA, rumo ao estrelato. Pois é. Essa mesma banda que divide opiniões - mas que a popularidade só cresce cada vez mais - continua mais acessível que nunca. Isso porque o som da banda se encontra ainda mais adaptado ao mainstream possível, apesar de que o Slipknot nunca tentou agradar as massas. É preciso levar em consideração também que apesar dos refrões serem geralmente pop, estamos falando de uma banda que flerta com o Death Metal. Levar isso para as paradas de sucesso, é praticamente uma missão impossível. Mas não para o Slipknot.

O novo álbum ''We Are Not Your Kind'' chegou até então recentemente, sem o percursionista de longa data Chris Fehn, porém não é uma mudança tão pesada quanto à de 2014 no disco ''.5: The Gray Chapter'', que foi marcada pela perda do fundador e baixista da banda Paul Gray, e pela saída do baterista Joey Jordison. A banda continua com a mesma raiva explodindo em nossos ouvidos, e o vocalista Corey Taylor continua cantando letras que adolescentes criam uma conexão de imediato, além de refrões pegajosos.

No geral, o álbum não chega a ser diferente de tudo que eles lançaram. Pelo contrário. Parece uma reciclagem do que deu certo nos discos anteriores, porém não soa repetitivo. 

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Um grande exemplo disso que falei acima, é o single ''Unsainted'', tem o refrão pegajoso de vários hits, mas também tem a parte mais pesada, com várias palavras saindo que nem metralhadora. A escolha do coral é um tiro certo pra grudar na mente que nem chiclete, e a letra é aquela pedrada que conhecemos. Como disse, não há surpresa, no entanto, é tão bom que não soa mais do mesmo. É com certeza, o grande hino do álbum todo. 


Na sequencia, ''Birth of Cruel'' tem uma vibe mais parecida com o Korn, é o Slipknot voltando aos primórdios da banda. Riffs inspirados em Sepultura; é uma música cheia de groove, diria que é um soco na cara do começo ao fim. Outra canção forte é a ''Nero Forte'', porém, ela é mais falada, Corey está vomitando palavras quase o tempo todo, há poucas linhas mais melódicas, apenas no refrão algumas frases. A ''Critical Darling'', também tem palavras rápidas o tempo todo, quase que remetendo à um hip-hop, porém, tem uma parte mais ''leve'' no refrão. O destaque fica por conta do pré-refrão, que vai numa crescente muito boa. A próxima ''A Liar's Funeral'', é a mais direta ao ponto do álbum, se alguém ainda fica em dúvida sobre o que é o álbum, aqui o assunto está bem explícito. Talvez essa seja a canção que tem a letra mais pesada do álbum, com frases suicidas nítidas, a depressão escancarada de forma crua, no entanto, a música não é pessimista. Na verdade, é uma canção que joga flashs de luz com os gritos de Corey ''Liar'' no  refrão, é de arrepiar. 

Já a ''Reg Flag'', foi a que menos gostei. Continua com a mesma mensagem da música anterior, só que não é tão direta ao ponto, porém, o problema não é esse. Talvez tenha faltado riffs mais pesados, o excesso de palavras deixou a música num ritmo meio descompassado também. Em contra partida, ''Spiders'' é a mais diferente do álbum. Aqui eu vejo o Slipknot buscando algo que não costuma fazer. Mais uma vez indo na onda do som do Korn, com batidas fortes (quase que de palmas), piano assustador de riff, e a interpretação do Corey tem bastante da linha ''lunático'' do Jonathan Davis. O refrão bem pegajoso, transforma a música automaticamente num single, ótima pra tocar em rádio e nas festas de halloween.     


A ''Orphan'' é o ''feijão com arroz'' do Slipknot. É aquela música esperada, com todos os requisitos para ser parte de um álbum. Em seguida, ''My Pain'', é outra canção bem diferente da cara do Slipknot. Não há gritos, nem guitarras pesadas, e ainda sim é uma canção com peso. A letra dá medo, e a melodia segue numa vibe gótica, levemente psicodélica. Dou destaque também não só pela interpretação do Corey como igualmente pela sua dicção, que está bem solta.

A penúltima ''Not Long For This World'' é uma das melhores do álbum, tem um pouco de Mastodon, mas ainda sim é uma canção do Slipknot, principalmente da metade para o final. Corey Taylor parece estar mais emotivo nas linhas vocais dessa música, mas ao mesmo tempo com muita raiva como tinha de ser. A letra começa a ser genérica dentro do álbum, porque ele bate nas mesmas teclas das anteriores, ainda sim, não é um problema. Por fim, o disco encerra com o segundo single ''Solway Firth'', dou destaque para a bateria nessa música.


Por fim, encerro com a sensação de que não se trata do melhor álbum do Slipknot. O álbum possui sim canções muito boas, porém, eles estão na zona de conforto. É uma mistura do que já foi mostrado, com uma cara nova. O tema é bem relevante, mas muitas canções repete o que já foi dito. É um bom disco que entrega as expectativas, mas não ousa ir além. 

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