Jorge Ben e a sua Bossa Nova Swingada




Texto por Luiz Felipe

Confesso, alguns álbuns são difíceis de serem resenhados. O peso histórico que ele carrega, a importância que ele teve em sua época, e nas épocas subsequentes, por meio de sua influencia nas gerações futuras, leva a críticos entusiasmados como eu, criar uma certa dose de ousadia para a empreitada. Não só no universo da música, mas também no cinema, literatura e nas artes visuais, temos obras que com o passar dos tempos, criam em torno de si uma certa aura mágica, difícil de mensurar em seu valor total com os olhos de hoje. Por isso a resenha que faço aqui é totalmente voltada com o olhar atual, meu olhar.

Jorge Ben é um dos artistas brasileiros mais importantes e fundamentais a surgir pós anos 60. Naquela década o mundo conheceu a Bossa-Nova, um estilo moderno  de se fazer o antigo samba, com seu clima intimista e "cool". Jorge trouxe digamos, uma "cor" nova para esse tipo de música moderna que se fazia, um balanço próprio, uma forma de usar a voz mais malandra, mais perto do gênero que influenciou tudo: o samba do morro.

"Samba Esquema Novo" lançado em 1963, é seu primeiro LP, e é hoje, considerado uma das pedras fundamentais da música popular brasileira, Não vou me ater aqui ao lado técnico do disco, não sou bom nisto, e sim, a experiencia de ouvi-lo hoje, mais de cinco décadas passadas de seu pouso nas lojas.
O álbum, possui um lamento negro, advindo das raízes africanas, ao mesmo tempo ele é brasileiro, com sua malicia, e seu sorriso nos lábios. Jorge Ben samba em cima de suas tristezas, e celebra o vai e vêm da vida.
Duas faixas são extremamente populares até os dias de hoje, mesmo quem não ouviu o álbum, já deve ter ouvido por ai. "Mas, que nada!", que abre o disco, possui uma letra muito boa, e já dita a filosofia por trás de tudo:

"E esse samba, que é misto de maracatu
  É samba de preto velho
  Samba de preto tu..."


A outra faixa é "Chove Chuva", simples e cheia de ternura, sem firulas, direto no coração:

"Pois eu vou fazer uma prece
  Prá Deus, nosso Senhor
  Prá chuva parar
  De molhar o meu divino amor..."


Para dar uma pincelada rápida, destaco as três músicas que mais me agradaram nesta ultima audição.
"Vem morena vem" possui uma melodia contagiante, uma letra ensolarada, impossível não ficar cantarolando mesmo horas depois de tê-la ouvido. "A Tamba", essa já é o oposto, talvez uma das menos conhecidas, porém, igualmente rica e pulsante. E "Por Causa de Você Menina", que fecha o disco com um lamento sobre o amor não correspondido, cantado com graça e leveza de espirito. 

Finalizando, o álbum continua moderno e com frescor intacto, mesmo passado tanto tempo, é como se as canções tivessem sido compostas ontem! Ouçam e tirem suas próprias conclusões.



A capa da bolacha é simples e perfeita para o som contido dentro, só com Jorge, um banquinho e um violão. Bem... na verdade, o banquinho foi descartado. Ben está flutuando no espaço, assim como o ouvinte flutua com sua musicalidade cheia de balanço, (já usei essa palavra hoje?) é como se, a falta do banquinho fosse um convite ao ouvinte a não acomodação, a acompanhar o movimento da música.


É isso, Jorge Ben é necessário!

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