The Black Keys retorna ainda mais dançante em ''Lets Rock''


Se você gosta de bandas como Arctic Monkeys, certamente já ouviu The Black Keys. Assim como houve um alvoroço para o novo trabalho deles, ''Lets Rock'' merece a mesma atenção. 

The Black Keys é uma banda formada em Akron, Ohio, em 2001. Dois amigos de faculdade que se conheciam desde a infância, sendo eles; Dan Auerbach (guitarrista e vocalista) e Patrick Carney (baterista), começaram tocando na garagem o puro blues raiz, tendo como inspiração Jimi Hendrix, Robert Johnson entre outros. Eles começaram totalmente independentes, produzindo seus próprios discos e trocando constantemente de estúdio e gravadora, conforme a fama foi crescendo aos poucos. Porém, eles só foram cair no mainstream mesmo em 2010 com o disco Brothers, o que rendeu à eles três Grammy. O duo não deixou a peteca cair com o próximo album ''El Camino'' no ano seguinte, e passaram a fazer turnês gigantes, além de ganhar mais três Grammy's pelo single ''Lonely Boy''. Em 2014, The Black Keys lançou seu penúltimo disco até então, intitulado ''Turn Blue'', depois em 2015, eles decidiram dar uma pausa na banda, para compor trabalhos paralelos, e etc. Esse hiato durou cinco anos, e agora eles retornaram com o ''Lets Rock'', que já está fazendo o sucesso esperado.   

Dan e Patrick são absurdamente talentosos. Os cinco primeiros álbuns, antes do fatídico estrelato em 2010, é de uma constância de riffs sensacionais que faz qualquer fã de blues se arrepiar. É inspiração que não acaba mais, como se nos fizesse acreditar que Jimi Hendrix tivesse ressuscitado, basta pegar o Magic Potion (2006) como exemplo, o primeiríssimo The Big Come Up (2002), ou qualquer outro desse período. São discos muito interessantes, porém, infelizmente, a falta de hit não possibilitava para a banda uma maior visibilidade como tem hoje em dia. Tudo mudou quando eles optaram em adicionar outros instrumentos em suas músicas, que não fosse apenas guitarra e bateria, além de caminhar para o pop/indie. Dai, foi sucesso instantâneo.  

Se você passeia pelas rádios da vida (voltada para o rock), com certeza já ouviu pelo menos uma música do ''El Camino'' de 2011. Como aconteceu comigo, quando peguei pra ouvir este álbum, eu já conhecia boa parte das canções, isso porque já ouvi uma vez ou outra tocando. Fiquei espantada ao saber que essa mesma banda é a mesma do começo da carreira, porque parece duas bandas diferentes. É uma mudança que eu diria bem drástica, ainda que se sinta o blues nas entrelinhas em várias músicas. Pra mim, parece duas bandas diferentes, no entanto, com uma coisa em comum: o bom gosto. 


O novo disco abre com a canção ''Shine a little light'',  e ela é bem pop, não tem nada de blues. É uma daquelas músicas que se encaixa perfeitamente com o perfil radiofônico que eles já estavam apresentando nos trabalhos anteriores. Aqui temos o esperado do Black Keys, executada da maneira prevista, porém, a música é boa. A melodia dos versos me fizeram me lembrar do Queen of The Stone Age por algum motivo, no entanto, não se engane, a canção não tem nada a ver com a banda do Josh Homme. A segunda Eagle Birds, temos um efeito na guitarra mais pesada, mas ainda continua bem pop. A batida da bateria marcada com palmas contribui com esse efeito também, além de backing vocals no refrão. Mais uma vez, não temos nenhuma novidade aqui da banda, é uma canção que se encaixaria nos trabalhos anteriores perfeitamente. 

Já a terceira ''Lo/HI'', continua com o efeito na guitarra que eu amo, que da uma cara futurística de alguma forma. Talvez seja isso que me fez lembrar do Queen of the Stone Age, esse efeito um pouco mais ''sujinho'', ''eletrônico'', na guitarra que tem no último trabalho da banda do QOTSA por exemplo. Enfim. Essa música é uma das que mais gostei do álbum, é um baita de um hit. A próxima ''Walk Across the Water'', tem algumas pontinhas de blues nos riffs, porém a batida forte dá o ar pop. É uma música mais lenta, tem uma melodia tranquila, porém, bem marcante. De fato, The Black Keys bebeu da fonte setentista, porém, soa atual. Ah, e antes que me esqueça, a introdução dessa canção é sensacional. Me deu a sensação de realmente estar sentada na cadeira da capa do álbum.


A quinta ''Tell me Lies'', tem um ritmo que me lembrou Alabama Shakes, a letra é bem simples por sua vez, parece ser uma indireta pra ex esposa dele. A sexta ''Every little thing'', começa com um riff que remete ao estilo passado da banda, mais ''cru'' vamos dizer assim. Depois a canção se transforma na que conhecemos hoje. Mais uma vez temos uma letra bem simples e direta ao ponto, a melodia é aquele pop ala Beatles, mas o refrão soa mais atual. Na sequencia, ''Get Yourself Together'', é aquela música que dá vontade de não ficar parado enquanto ouve, embora não seja tão agitada. Consigo ver um pouco de rock de garagem nessa, mesmo que de garagem tecnicamente não tenha nada. Essa é outra canção simples, dançante e que se encaixa bem no perfil de rádio. 

A oitava faixa, ''Sit Around and Miss you'', tem um ar Creedence Clearwater Revival, e lembra um pouco Stealers Wheel, aquela conhecida canção ''Stuck in the middle with you'' por exemplo. Com certeza, essa é a que mais tem a cara setentista. O refrão me lembra mais Foo Fighters. É uma boa canção, sem dúvida. A próxima ''Go'', é mais agitada,e já nasceu com cara de hit com esse refrão. Essa é a que mais tem cara de rock de garagem, muito mais que qualquer outra deste album. A décima, ''Breaking Down'' é mais tranquila, tem uma batida um pouco mais forte, e se encaixa bem como uma música do Arctic Monkeys.   


A penúltima ''Under the Gun'', me lembrou no começo um pouco Thin Lizzy, de certa forma. Já o riff depois do refrão me remeteu à banda Cream. É impressionante como canções como essa, com referencias tão boas, soe tão atual e radiofônico. The Black Keys merece toda a visibilidade e sucesso que alcançou e está alcançando.

A última ''Fire Walk With Me'', pelo nome, até parece uma referencia à Twin Peaks, eu não sei se de fato foi ou não (acredito que não), mas o album não poderia terminar com uma canção melhor (Essa também me lembra a banda Cream por sinal). Essa música representa o disco; é dançante, tem um bom groove, tem um pouquinho de blues nos riffs, o refrão pop é bom... 

Enfim, dito tudo isso, só posso finalizar dizendo: ainda tem música de qualidade nas rádios! The Black Keys continua sendo a prova disso. 



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