The Damned volta às raízes com o álbum ''Evil Spirits''



The Damned nunca foi uma banda tão conhecida como Sex Pistols ou The Clash - até porque eles não tinham nenhum engajamento político, e muito menos àquela pinta ''cool'' - mas foram eles os primeiros punks do Reino Unido à lançar um single em outubro de 1976 (intitulado ''New Rose''). A formação original era composta por: Dave Venian nos vocals, Brian James na guitarra, Captain Sensible no baixo (depois na guitarra) e Rat Scabies na bateria. No entanto, a banda passou ao longo dos anos por muitas mudanças na formação, o que nos levou à um feito inédito: The Damned foi a primeira banda punk à se separar e voltar. E claro, não podemos esquecer; ela foi uma das primeiras bandas a exalar o ''cheiro gótico''. 

Já que tocamos no assunto ''inda e vindas'', quando a banda lançou seu primeiro álbum em 1977 ''Damned, Damned, Damned'' juntamente com ''Music for Pleasure'', houve uma separação por causa das críticas negativas na época. Porém, não durou muito. Logo em 1979, eles voltaram com ''Machine Gun Etiquette'', só que sem Brian Jones (guitarrista). Na década seguinte, The Damned lançou quatro álbuns de estúdio (The Black Album 1980, Strawberries 1982, Phantasmagoria 1985 e Anything 1986), com a cara oitentista que conhecemos; movendo-se em direção ao rock gótico. Em 1995, eles lançaram ''Not of this Earth'', em 2001 ''Grave Disorder'' e em 2008 ''So, Who's Paranoid?''. E claro, várias discos ao vivo, até chegar num novo álbum de estúdio ''Evil Spirits'' de 2018, que é o foco deste texto.

Essa foi a primeira música que ouvi que me fez gostar da banda.

Produzido pelo Tony Visconti (conhecido pelos seus trabalhos com David Bowie), The Damned parece voltar 35 anos atrás com esse novo álbum, porém não no sentido de repetição, mas de reencontro com suas raízes que deram a cara pra banda. Dá pra sentir um arzinho de 2018, ainda sim, o estilo retrô se faz bem notório ao longo das canções. Dito isto, se percebe um trabalho ambicioso, com àquilo em que eles sabiam fazer de melhor: punk rock com gostinho sombrio.

O disco abre com ''Standing On The Edge of Tomorrow'', canção esta, que pode ser interpretada  pela letra como um grande Olá pra essa nova fase da banda. A sonoridade tem uma atmosfera antiga, porém não velha o bastante pra se dizer ultrapassada. O clipe futurístico realça ainda mais a distopia da canção, nos levando à ficar com um sabor agridoce nos ouvidos. Certamente, eles não poderiam iniciar com canção mais oportuna que esta. Tanto em termos sonoro como narrativo, de fato, se reconhece fácil que é uma música do The Damned.


A próxima ''Devil in Disguise'', foi quase cinematográfico na minha mente. Poderia ser a trilha sonora de algum filme cult de horror, que tivesse uma pitada satírica. Assim como é a banda; escura, porém, bem-humorada. ''We're so nice'' e ''Look Left'' tem uma melodia bem agradável, e uma letra mais voltada com o olhar pra nova geração. Já a ''Evil Spirits'' não me cativou tanto, mas certamente não é uma canção ruim. A seguinte ''Shadow Evocation'' é mais interessante. Atmosférica do começo ao fim, a letra casa com o som muitíssimo bem.

''Sonar Deceit'' é a mais agitada, porém mantém o clima sombrio, principalmente no refrão. Parece ser a canção mais feliz do álbum, mas a letra deixa resquícios de escuridão. ''Procrastination'' mantém o ritmo um pouco mais elevado, e tem uma mensagem bem clara. É uma canção divertida, com certeza.

As duas últimas canções ''Daily Liar'' e ''I Don't Care'' terminam quase que na mesma vibe. Não são  músicas grandiosas, e isso me deu a impressão que o disco não estava acabando. Tirando isso, dentro da proposta, são boas, porém não me empolgaram tanto.


The Damned definitivamente é uma banda que sabe se divertir. Não espere um som revolucionário ou algo do tipo. ''Evil Spirits'' volta às raízes da banda, deixando um gosto de quero-mais. Considerando a trajetória dos músicos, isso não poderia ser mais punk.

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